Em meio a um cenário global de incertezas econômicas, o Gartner — referência mundial em pesquisa e consultoria corporativa — lança um alerta: a tecnologia precisa deixar de ser apenas suporte e se tornar motor do crescimento sustentável das empresas.
Segundo a consultoria, os líderes de TI devem utilizar investimentos digitais que entreguem resultados financeiros e de desempenho de forma eficiente, repetível e responsável.
O conceito, batizado de “TI para crescimento sustentável”, implica revolucionar o modo como as empresas operam, capacitando a força de trabalho, protegendo a execução de negócios e adotando uma estratégia de inovação baseada em impacto.
Revolução do trabalho exige tecnologia centrada no ser humano
Em pesquisa recente, o Gartner identificou que apenas 31% dos funcionários têm acesso à tecnologia adequada para suas funções.
Isso representa uma oportunidade crítica para os CIOs atuarem de forma estratégica.
“Empresas que revolucionarem o trabalho com tecnologia serão as preferidas pelos talentos”, afirma Mary Mesaglio, vice-presidente do Gartner.
Nesse contexto, o estudo aponta três multiplicadores de força que podem transformar empresas em empregadoras de alto desempenho:
- Eliminar o atrito do trabalho: eliminar barreiras desnecessárias nas tarefas diárias aumenta o engajamento e a eficiência.
- Investir fortemente em inteligência artificial: IA deve ampliar o impacto dos colaboradores, e não apenas a produtividade.
- Experimentar tecnologias emergentes: empresas que se antecipam ao ciclo de adoção (como o metaverso corporativo ou intra-verse) atraem talentos e saem na frente da concorrência.
Investimento responsável une lucro e sustentabilidade
Outro pilar estratégico defendido pelo Gartner é o conceito de investimento responsável — iniciativas que entregam retorno financeiro aliado a benefícios sociais, ambientais e de governança (ESG).
“Esse tipo de investimento é valorizado pelos funcionários, clientes e investidores. É uma estratégia ‘dois por um’ para criar impacto positivo e gerar resultados concretos”, destaca Daniel Sanchez-Reina, analista do Gartner.
Entre os principais multiplicadores de força identificados, estão:
- Infraestrutura Conectada Inteligente (ICI): que combina IA, IoT, nuvem e edge computing para dar “voz” a ativos antes silenciosos, como estradas, portos e pontes.
- Fornecimento Autônomo: uso de IA e linguagem natural para expandir e qualificar a base de fornecedores de maneira eficiente.
- Redução digital do consumo de energia: ferramentas como EMOS e redes inteligentes auxiliam empresas a cortar de 4% a 15% do uso energético.
Cibersegurança resiliente passa a ser questão de negócio — não só técnica
Outro alerta importante do relatório é que 88% dos conselhos de administração já tratam falhas de segurança como riscos estratégicos e não apenas técnicos.
“Proteger sua marca e sua execução operacional é proteger seu crescimento”, diz Ed Gabrys, VP do Gartner.
Para isso, o Gartner destaca três frentes prioritárias:
- Gerenciamento da superfície de ataque: identificar e corrigir vulnerabilidades internas e da cadeia de suprimentos.
- Proteção orientada a resultados: alinhar a segurança às áreas críticas do negócio, como vendas, operações e experiência do cliente.
- Acordos de Nível de Proteção (PLA): nova métrica baseada em resultados que substitui o foco exclusivo em ferramentas e permite decisões mais estratégicas sobre onde investir.
Sobre o Gartner
Gartner Inc. é uma empresa de pesquisa e consultoria empresarial, com presença em mais de 100 países e atuação junto a 15 mil organizações.
Combinando dados, aconselhamento estratégico e análise de tendências, ajuda empresas e líderes a tomarem decisões críticas para o futuro dos negócios.
Jornalista com mais de dez anos de experiência em redação e edição de conteúdos de economia, finanças e política.