Na economia digital de 2025, dados não são mais o “novo petróleo”, mas o próprio ar que mantém as empresas vivas. Essa é a metáfora adotada por Newton Ide, CEO da Leega Consultoria, para definir o papel vital das informações no mundo dos negócios. “Sem dados bem tratados, é como tentar respirar em um ambiente poluído — a empresa não sobrevive”, afirma o executivo.
Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial (IA), machine learning (ML) e processamento de linguagem natural (PLN), o volume e a velocidade das decisões baseadas em dados têm aumentado exponencialmente. Segundo a consultoria IDC, o mundo deve ultrapassar 175 zettabytes de dados até o fim de 2025. No Brasil, os investimentos em IA e IA generativa já projetam crescimento de 30% neste ano, chegando a US$ 2,4 bilhões.
“Não basta acumular dados — é preciso organizá-los, governá-los e garantir acesso seguro e estratégico”, explica Ide. Ele destaca a ascensão da IA agêntica, com agentes autônomos que executam tarefas de forma independente, como um dos marcos dessa nova etapa.
IA: Edge Analytics, DaaS e o papel estratégico do CDO
Outras tendências apontadas pelo executivo incluem a análise de borda (Edge Analytics) — que processa dados diretamente na origem, como em dispositivos IoT — e a análise aumentada, que democratiza o uso da informação mesmo entre quem não tem domínio técnico.
Além disso, o modelo Data as a Service (DaaS) permite consumir dados de múltiplas fontes sem depender de grandes infraestruturas, agilizando decisões e integrando mais áreas aos processos analíticos.
Esse novo cenário também exige um novo perfil de liderança. “O Chief Data Officer (CDO) passa a ser uma figura estratégica, responsável por alinhar dados aos objetivos do negócio e fortalecer uma cultura data-driven”, destaca o CEO da Leega.
Outro ponto levantado é o valor oculto nos chamados dados obscuros — informações não estruturadas, como arquivos de log ou registros de interação com clientes, que costumam ser ignoradas. “Ao explorá-los com análises avançadas, é possível encontrar oportunidades valiosas e obter vantagens competitivas antes invisíveis”, diz Ide.
Jornalista com mais de dez anos de experiência em redação e edição de conteúdos de economia, finanças e política.